fundada em 10 de outubro de 1946
(4 dias depois do meu nascimento, 06/10/1946 - domingo)
A paulistana Companhia Municipal de
Transportes Coletivos foi criada em 10/10/1946, por decreto do
Prefeito Abrahão Ribeiro, na tentativa de reestruturar o transporte público da cidade
de São Paulo, que passava pela maior crise da sua história. Orgulhosa em ser “a
locomotiva do Brasil” e “cidade que mais cresce no mundo“, São Paulo convivia com um
sistema de transportes tão caótico que, nos momentos mais críticos, obrigava a
população a utilizar até mesmo caminhões “pau-de-arara” para seu deslocamento
urbano. A crise paulistana (cuja situação não diferia da maioria das grandes
cidades brasileiras de então) resultava da associação de três fatores
principais: escasso controle público sobre os operadores privados, criados de
forma espontânea ao longo dos anos, sem nenhum planejamento e com fraca
regulamentação; degradação dos serviços de bondes (explorados pela Light –
concessionária canadense de energia), fruto de décadas de falta de investimento
e da omissão do poder público na definição e fiscalização de padrões mínimos de
qualidade de serviço; e envelhecimento da frota de ônibus, como resultado da
interrupção das importações de veículos durante a 2ª Guerra Mundial, das quais
o Brasil era totalmente dependente. As dificuldades foram agravadas pela
devolução do sistema de bondes para a Prefeitura, que não dispunha de estrutura
preparada para geri-lo, assim que terminou a guerra (a concessão à Light
terminou em 1941 e a empresa já comunicara seu desinteresse na renovação; a
pedido do governo municipal manteve a operação até dezembro de 1945).
A CMTC foi formada como sociedade
anônima de economia mista, a partir da absorção, pela Prefeitura, dos serviços
de bondes e de grande parte das empresas privadas operadoras do transporte
urbano da cidade. No processo, todas as empresas de ônibus foram extintas e
seus proprietários, assim com a Light, tornaram-se acionistas da CMTC, na
proporção do patrimônio que dispunham e que foi a ela agregado.
Desde suas origens a empresa se
destacou pela busca de soluções modernas na gestão e operação do transporte
municipal, quer com relação ao planejamento e integração do sistema, quer
quanto à especificação dos veículos e ao fomento à nacionalização de equipamentos.
Foi a CMTC que implantou o primeiro (e maior) sistema de ônibus elétrico do
país, iniciado apenas três anos após a criação da companhia, com veículos
importados dos EUA (no seu melhor momento a frota superou 500 veículos). Em
1955, foi a primeira empresa a utilizar uma grande frota de “papa-filas” (50
unidades do mal-sucedido ônibus-reboque construído
pela Massari e Caio, tracionado por
cavalo mecânico FNM). Foram de São Paulo os primeiros trólebus nacionais (Grassi / Villares, em 1958).
Foi em conseqüência
à iniciativa de CMTC de modernizar e ampliar sua rede de transporte
eletrificado, em 1977, que foi criado o Programa Nacional de Trólebus, para o
qual foi projetada nova geração de veículos com carroçaria padron
e introduzida no Brasil a moderna tecnologia de comando eletrônico de
velocidade por recortador (chopper); foi ainda
da CMTC o maior projeto nacional de expansão do sistema de trólebus (e um dos
poucos concretizados). Em 1985 também foi a responsável pela contratação junto
à Mafersa, Tectronic / Marcopolo e Villares
(coligada com a Cobrasma) dos três primeiros (e únicos)
trólebus articulados fabricados no país (18 m e 180 passageiros, com recursos
da Finep). Entre 1987 e 88 desenvolveu e construiu protótipo de ônibus de dois
andares (depois licitado e produzido pela Thamco), equipamento que teve vida
curta. Já nos primeiros anos do século XXI, através de sua sucessora SPTrans,
desenvolveu com a Marcopolo o sistema troncal guiado,
totalmente segregado e com veículos biarticulados apelidado “fura-fila”.
Em 1957 o transporte urbano de São
Paulo foi novamente aberto às empresas privadas; à CMTC, porém, foi assegurada
a dupla função de gestora do sistema e de operadora – por muitos anos ainda a
maior da cidade. Como gestora, a companhia teria papel vital na profunda
reestruturação do sistema, implantada a partir dos anos 80. Então, já contando
o município com eficiente rede de metrô, o transporte público foi reorganizado
por níveis de serviço (corredores estruturais, linhas transversais, periféricas
e alimentadoras), com total integração física e tarifária e clara definição do
tipo e características do veículo para cada utilização. A (quase) permanente
continuidade das políticas de transporte da administração municipal permitiu
que o sistema paulistano se constituísse no mais bem equipado do Brasil, com a
maior frota operante de trólebus, ônibus padron,
articulados, híbridos e de piso baixo do país.
A persistência da CMTC na busca de
melhores padrões de serviço, aliada à dimensão de mercado representada por uma
cidade do porte de São Paulo prestaram, indiretamente, inestimável contribuição
para a indústria brasileira de equipamentos de transporte, viabilizando
economicamente, pela escala grandiosa de cada encomenda feita pela cidade, a
produção de chassis e carrocerias mais adequados para o transporte público de
passageiros – mais caros e sofisticados, porém de muito melhor qualidade,
conforto e eficiência, reduzindo impactos urbanísticos e ambientais e cobrando
menor custo social.
Além deste relevante papel coadjuvante
no desenvolvimento da indústria automotiva brasileira, pelo menos em dois
momentos distintos a CMTC também participou diretamente da sua história como
fabricante. O primeiro ocorreu em 1954, quando a empresa ainda operava como
monopolista e estruturou uma oficina para reforma de sua frota importada e para
reencarroçamento de chassis usados; lá também
construiu carroçarias de madeira sobre chassis nacionais FNM. No segundo
momento, a partir de 1963 e por quatro anos, operou uma linha de montagem
de trólebus e carrocerias, exclusivamente para suprir sua frota. Para a
estrutura dos veículos foi escolhida a tecnologia de perfis extrudados de
alumínio; para simplificar e baratear a fabricação, a CMTC optou por aproveitar
componentes disponíveis no mercado, já utilizados por outros fabricantes – no
caso, a carioca Metropolitana, com a qual
negociou os direitos de produção de seu excelente modelo urbano de então.
A prioridade da CMTC, contudo, era
a construção de ônibus elétricos, cujo fornecimento nacional ainda
era caro e irregular. Em 1964 concluiu o primeiro exemplar de uma longa série:
com chassi FNM V-9 e motor elétrico e controles Villares, com 100% de
nacionalização, 139 unidades foram fabricadas até 1971, quando a linha de
montagem foi desativada. (Pelo menos um exemplar foi montado, em 1968,
sobre chassi GM ODC usado.) Suas carrocerias
mudaram ligeiramente ao longo dos anos (porém sempre mantendo o “estilo
Metropolitana”) e a última série já apresentava faróis duplos e para-brisas
maiores, ampliados mediante a colocação de vigias inferiores adicionais de
vidro.
Além de fabricar trólebus novos, a
CMTC reconstruiu 38 antigos Grassi e Massari e
forneceu carrocerias para sua frota de ônibus diesel. Em 1968 lançou a
série Monika I (nome da primeira
neta do então prefeito de São Paulo), com 9,0 m de comprimento, sobre os
anacrônicos chassis Mercedes-Benz LP; sempre calcado no Metropolitana urbano, o
veículo recebeu grade de desenho próprio e sistema de ventilação interna
mais aprimorado, com saídas de ar viciado em quatro das colunas laterais. Mais
adiante iniciou a fabricação da carroceria Monika II,
sobre chassi FNM com motor dianteiro e, no ano seguinte, da Monika
III. Cerca de 180 unidades foram produzidas, das quais 110 da versão I e 50 da
II. A CMTC esteve presente em duas edições do Salão do Automóvel (V e VI),
expondo os trólebus e carrocerias fabricadas em suas oficinas.
A CMTC foi extinta em 1993, no início
da segunda gestão do prefeito Paulo Maluf, quando ainda detinha 27% do
transporte por ônibus da cidade; foram privatizadas as linhas então operadas
pela empresa e, dois anos depois, constituída a SPTrans – São
Paulo Transporte S.A., com a atribuição exclusiva de gerir o sistema de
transportes públicos do município.
A Companhia
Municipal de Transportes Coletivos foi uma empresa responsável pela operação e
fiscalização do transporte feito por ônibus na cidade de São Paulo de 10 de
outubro de 1946 até o ano de 1995, quando foi extinta na gestão Paulo
Maluf. Wikipédia
Fundação: 10 de outubro de
1946 (quinta-feira)
Encerramento: 8 de março de 1995 (quarta-feira)
Tipo anterior: Empresa de capital
fechado
Jayme Pereira da Silva – domingo 07/dez/2025
Fonte: https://www.lexicarbrasil.com.br/cmtc/
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